Das descobertas – Parte 1

Qual é a origem do universo? Do que ele é constituído? São indagações que fascinam e instigam a criatividade do homem. Para Tales de Mileto (625-546 a.C), fundador da filosofia ocidental, o metafísico não era fundamental e o universo, como um organismo em atividade, era constituído de água. Para Anaximandro (610-545 a.C), seguidor de Tales, o universo era eterno e infinito e composto por uma substância primordial inatingível e o homem, na Terra, estaria circundado por camadas de fogo, e o sol, a Lua e as estrelas seriam furos nessas camadas.

Com os filósofos pitagóricos, cujo expoente máximo é representado por Pitágoras (582-507 a.C), a dinâmica do universo passou a ser entendida pela primeira vez através de números. Desta forma, os pitagóricos descobriram que a escala musical pode ser representada por razões simples de números inteiros, atribuindo à matemática um significado estético, responsável pela harmonia e beleza das notas musicas. Um outro passo fundamental foi estender essa harmonia e simetria das notas musicas ao movimento do cosmo. De acordo com Filolao de Tarento (480-400 a.C), a Terra, o Sol, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno orbitam em círculos concêntricos em volta do que ele denominou de “fogo central”, a morada de Deus, que era considerado o centro do universo. Nesse modelo podemos ver as raízes de um visão heliocêntrica surgindo, posto que é a primeira vez que a Terra perde sua supremacia diante do universo.

Leucipo e Demócrito, na medade do século V a.C, inauguram a escola atomista, que distante da onisciência divina, permitiu entender o mundo por meio dos átomos. Estes átomos, numericamente infinitos e indestrutíveis seriam a matéria primordial do universo segundo os atomistas. Desse modo, extrapolar conceitos e fundir conhecimentos não são características apenas dos pitagóricos, visto que Demócrito, por exemplo, com a ideia de átomo, explicava que a cor branca era devido a átomos suaves e simétricos, enquanto que a cor preta era devido a átomos irregulares. Mais tarde veremos que, de fato, átomos são divisíveis. Nesse momento, o mundo e o cosmo em que se vivia só podiam ser entendidos por meio da razão, como fica claro neste trecho de Lucrécio (99-55 a.C):

 

Porque a mente quer descobrir, através do uso da razão, o que existe no longínquo e infinito espaço, longe dos problemas deste mundo – aquela região onde o intelecto sonha em penetrar, aonde a mente, livre, estende seu voo em direção ao desconhecido.

 

Os resquícios deste modelo de mundo apareceria mais tarde no Renascimento Cultural. A curiosidade do homem não parou e depois de mais de 2000 anos de história, encontramos o físico e matemático Isaac Newton (1642-1727) retomando as ideias atomistas e postulando que a matéria, o que agora incluia a luz, era formada por corpúsculos. Dando respaldo à Newton, John Dalton (1766-1844) assume que a matéria era composta de átomos, que compunha todos os elementos e não poderiam ser criados e nem divididos em partículas menores. Assim sendo, decifrar a estrutura da matéria parecia uma questão de tempo. Nessa época experiências com raios catódicos (radiação que aparecia no interior de ampolas que continham gases rarefeitos) eram as mais usuais e é em 1897 que Joseph Thompson (1856-1940) explica que os raios catódicos são na verdade constituídos por cargas negativas: os elétrons. É a primeira vez que o átomo é fragmentado e também ganha um modelo de constituição ( Pudim de Ameixas), no qual havia uma distribui\ção uniforme e positiva de cargas recheada por elétrons.

 

E homem encontrará no século que segue, 20, ainda muitas surpresas e descobertas. Mas isso fica para a próxima semana.

 

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